21 agosto 2018

VIAGEM DE ESTUDOS 2018/1 – CÓRDOBA E ROSÁRIO: VIVENCIANDO A ARQUITETURA ARGENTINA

Em maio de 2018, o curso de Arquitetura e Urbanismo da ULBRA campus Torres foi às cidades de Córdoba e Rosário, na Argentina, em sua tradicional viagem de estudos. 
Córdoba e Rosário são as duas maiores cidades do interior da argentina. A primeira foi fundada em 1573 e por sua localização central sempre foi um importante centro urbano, sua urbanização leva a marca das cidades coloniais espanholas, com uma malha urbana em quadrícula regular com centro na então Plaza Mayor, onde se encontram os principais edifícios da época como a Catedral e o Cabildo. Córdoba concentrou as atividades da Companhia de Jesus durante boa parte do século XVII e ainda guarda relevante legado deste período, como o conjunto edificado da Manzana de las Luces. A ocupação urbana se densificou durante o século vinte e apresenta obras arquitetônicas relevantes de diferentes épocas, com destacada presença no cenário da arquitetura moderna e contemporânea.
Rosário, às margens do Rio Paraná foi cenário de eventos históricos como o primeiro içamento da bandeira argentina em 1812. A cidade se desenvolveu como entreposto comercial e centro industrial em função de ter o mais importante porto fluvial do interior do país. Recentemente a orla do Rio Paraná vem passando por uma série de intervenções urbanísticas que resgatam antigas instalações portuárias para novas atividades e devolvem a margem do rio para fruição da população.
O grupo de alunos, acompanhado dos professores Breno Clezar Júnior, Efreu Quintana, Marcos Bueno, Renata Matos e da coordenadora Thaís Menna Barreto, partiu de Torres no dia 19 de maio com destino à Córdoba, onde, já na chegada, iniciou o roteiro de visitas arquitetônicas.
Em Córdoba, o curso de Arquitetura e Urbanismo foi recebido como “invitado de la cuidad” e atenciosamente atendido pelas Secretarias Municipais de Turismo e Cultura que, junto com a Universidade Provincial de Córdoba dispuseram guias que ciceronearam o grupo e prepararam as recepções especiais nos locais visitados para os alunos e professores da ULBRA Torres.
Já na primeira visita, a recepção foi feita pelo Arquiteto Lucio Morini, um dos mais expressivos da atual geração de arquitetos cordobenses. Autor de vários dos mais relevantes edifícios públicos recentes, Morini guiou o grupo pelo complexo Cielo y Tierra, centro de divulgação científica, que conta com exposições educativas sobre o planeta Terra e o Universo. O edifício, de concepção arrojada, é composto por dois dodecaedros semi-enterrados, e contém planetário e torre de observação astronômica.


O grupo seguiu, dali, para o Palácio Ferreyra, um palacete de 1919 projetado pelo arquiteto francês Ernst-Paul Sanson com paisagismo de Carlos Thays. Restaurado em 2007, foi convertido em Museu Superior de Bellas Artes Evita, com projeto do escritório GGMPU junto com Lucio Morini.


A visita foi, em seguida, no Paseo de las Artes, uma feira de artesanato que funciona numa área de antigas casas operárias, revitalizadas na década de 1980 pelo importante arquiteto Miguel Angel Roca. Para terminar o dia, o grupo circulou pelo bairro Guëmes e confraternizou no centro gastronômico Muy Güemes, que funciona num pavilhão industrial adaptado ao novo uso pelas arquitetas Agostina Gennaro e María josé Péndola.
Na segunda-feira, o roteiro começou no Jardín Botánico de la Municipalidad de Córdoba, cujo projeto do edifício principal, de 1999, com autoria dos arquitetos Carlos Barrado e Mónica Bertolino, apresenta linguagem que une o brutalismo com uma arquitetura regional, utilizando técnicas e materiais locais. O Jardim Botânico, faz parte, junto com Universidade Livre do Ambiente (ULA), também visitada pelo grupo, de uma operação urbana para resgatar a qualidade ambiental do arroio Infernillo, e localiza-se onde antes havia um aterro sanitário.
 


O grupo foi, em seguida, ao Palácio Municipal: um edifício moderno resultado de concurso público vencido pelo grupo SEPRA em 1953. A partir do terraço do edifício, observaram-se as edificações modernas do centro da cidade e as praças Paseo Sobremonte – primeiro parque público de córdoba, Plaza Italia – projeto de Miguel Ángel Roca e Plaza de la Intendência. O grupo seguiu a pé pelo arroio La Canhada para avistar alguns exemplares da arquitetura moderna de Córdoba, entre eles edifícios projetados por Jaime Roca e Togo Díaz. 
O próximo local visitado foi o Centro Cívico del Bicentenário, nova e imponente obra que abriga o centro administrativo provincial e a casa do governador, também projetado por GGMPU e Lucio Morini.


As visitas da tarde foram nas universidades provincial e nacional de Córdoba. O grupo conheceu o campus Cidade das Artes da Universidade provincial de Córdoba, construído a partir da reciclagem de pavilhões do antigo quartel do exército. No campus estão as faculdades de artes visuais, escultura, cerâmica, música, teatro e dança, um teatro e um edifício com ateliês para artistas. 
Na Universidade Nacional de Córdoba, o grupo foi recepcionado na Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Desenho. A professora Arquiteta Silvana Mocci recebeu e guiou os alunos e professores do curso pelo edifício, onde todos puderam conversar sobre as diferenças e semelhanças do ensino de arquitetura aqui e lá, onde mais de nove mil alunos são atendidos em modalidade 100% presencial.


No dia seguinte, foi a vez de percorrer o centro histórico: começando pela Praça San Martín, a praça fundacional da cidade, onde o grupo foi recebido pela subdiretora de turismo da municipalidade de Córdoba, professora Maria Belen Urquiza, que pessoalmente guiou o grupo nas visitas aos prédios históricos do centro, como o Cabildo Histórico. Cabildo é nome das antigas sedes de governo das cidades coloniais espanholas, e o de córdoba data de 1588, sendo adaptado e ampliado em 1786 pelo engenheiro militar Don Manuel López. Funciona, atualmente, como museu e sede do instituto do instituto do patrimônio histórico. A Catedral de Córdoba – Igreja de Nuestra Señora de la Assunción, iniciada em 1582, teve sua fachada de inspiração renascentista projetada pelo arquiteto italiano Andrea Bianchi, em 1706, As torres foram concluídas somente em 1787, já com uma linguagem barroca.


Da catedral, o grupo seguiu para a Manzana Jesuítica, ou quarteirão das luzes, um conjunto de construções realizadas pelos Jesuítas, que chegaram à região em 1589. Neste local, tem-se a igreja da Companhia de Jesus, o Colégio Nacional de Monserrat e a antiga sede da Universidade Nacional de Córdoba, que foi a primeira do país e uma das primeiras de toda a América. No acervo da biblioteca, estão exemplares raríssimos, tais como algumas das mais antigas impressões da Bíblia, realizadas no século XVI, e o tratado de Leon Batista Alberti, cuja primeira publicação data de 1485.
O percurso pelo centro continuou pelas peatonais, por um sistema de vias exclusivas de pedestres projetadas na década de 1980 por Miguel Ángel Roca, arquiteto responsável por importantes obras urbanas da cidade. Nessa intervenção, as fachadas das edificações históricas são rebatidas no desenho do piso. O percurso pelo centro terminou na Cripta Jesuítica, um sítio arqueológico sob uma importante avenida, que revela o início da construção de uma igreja pelos jesuítas, cuja obra inacabada teve diversas outras utilidades até ser soterrada pelo crescimento da cidade. 
Essa tarde teve, ainda, visitas a duas obras recentes: o Centro Cultural e Arquivo de Córdoba, projeto selecionado por concurso público vencido pelos arquitetos Castañeda, Cohen, Nanzer, Saal, Salassa e Tissot, em 2014, cujo partido adota a estratégia de uma topografia operativa conectando o Parque Sarmiento à cidade por um passeio que é a própria cobertura do edifício, e o Museu Provincial Emilio Caraffa, construído em 1915 pelo arquiteto Johannes Kronfuss e restaurado e ampliado em 2008 pelo escritório GGMPU, junto com Lucio Morini.



O itinerário em Córdoba teve encerramento com a visita à Igreja neogótica do Sagrado Coração de Jesus, igreja dos capuchinhos e, logo após, happy hour no Paseo del Buen Pastor, um centro comercial e gastronômico no local em que funcionou uma antiga prisão.
No dia seguinte, o destino foi o ponto alto da viagem. No caminho entre Córdoba e Rosário, na localidade e La Playosa, encontra-se a Capilla San Bernardo, um premiado projeto do Arquiteto Nicolás Campodonico. Tratando-se de uma capela familiar, na propriedade dos pais do arquiteto, foi construída com tijolos que pertenciam a uma antiga casa que havia no lugar. Sua forma é ao mesmo tempo simples e inusitada, e nela se reconhecem elementos clássicos da arquitetura religiosa: a entrada obscura que se abre num interior amplo e luminoso, a técnica tradicional da abóbada em que os esforços de compressão mantém a forma e descarregam o peso nas paredes estruturais e o efeito poético da cruz, que é formada pela sombra projetada de dois elementos de madeira que lembram o braço horizontal da cruz carregado por Cristo durante a via crucis e que vai formar a cruz completa quando encontra o poste cravado no monte do calvário. 




Na quinta-feira, para coroar a viagem, o grupo foi recebido pelo próprio Nicolás Campodonico em seu escritório na cidade de Rosário. Nicolas, sempre muito cordial, deu uma verdadeira aula ao explicar o desenvolvimento do projeto e da obra da capela e de outros edifícios, demonstrando contagiante entusiasmo e paixão pelo ofício de arquiteto.


Em Rosário, o grupo percorreu a Plaza 25 de Mayo, onde a cidade teve seu início histórico, e onde situa-se a Catedral de Nuestra Señora del Rosario e a sede da prefeitura no chamado Palácio dos Leões, um edifício de 1896 do arquiteto italiano Gaetano Rezzara cuja arquitetura em estilo renascentista lembra a dos palácios fiorentinos. Entre esses dois edifícios, uma passagem leva ao Monumento Nacional à Bandeira, obra colossal erguida nos anos 1940, com projeto de Alejandro Bustillo e Ángel Guido, no local em que foi içada pela primeira vez a bandeira argentina, durante as guerras de independência, pelo General Belgrano.


Em Rosário ainda foram visitados outros importantes exemplares de arquitetura contemporânea e pós-moderna: O Centro Municipal Distrito Sur Rosa Zieperovich é, junto com a Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, um dos dois projetos do arquiteto português Álvaro Siza Vieira na América Latina. Realizado em 2002, faz parte de uma iniciativa de descentralizar os serviços municipais.


O novíssimo Acuário do Rio Paraná, obra de 2018 do escritório LOF arquitectos, de Santa Fé, faz uso de uma linguagem arquitetônica contemporânea e museografia interativa para criar um moderno centro de pesquisa e educação acerca do ambiente natural, da dinâmica ecológica e das espécies que habitam o rio Paraná.


O ultimo ponto de visitação foi o Complexo Cultural Parque España, local que abriga midiateca, teatro e salas de exposições. Com projeto dos arquitetos catalães Matorell, Bohigas e Mackay, sua execução foi doada pelo governo espanhol. A construção é uma adaptação de uso de túneis e silos que compunham antigas estruturas portuárias.
Com a vista do pôr do sol no Rio Paraná, foi encerrada a visita, dando início ao retorno a Torres. O Curso de Arquitetura e Urbanismo agradece aos professores que organizaram a viagem, realizaram aula preparatória e acompanharam e guiaram os alunos, podendo lecionar arquitetura in loco, uma experiência fundamental na formação dos novos arquitetos e que somente um curso presencial e de excelência pode proporcionar semestralmente, como faz a ULBRA Torres. Agradecimentos também à Coordenação do curso e à direção do campus que incentivam e viabilizam tão importantes atividades de extensão. Especial agradecimento a todos aqueles que tão bem e prestativamente nos receberam nas cidades e locais visitados, e ao excelente grupo de alunos interessados que fizeram desta uma ótima experiência.

28 junho 2018

DECLARAÇÃO DE LA SARRAZ COMPLETA 90 NO DIA 28 DE JUNHO DE 2018

A Declaração de La Sarraz foi redigida em 28 de junho de 1928 na ocasião do CIAM I, na Suíça, por um grupo de 28 arquitetos, organizados por Le Corbusier, Hélène de Mandrot, proprietária do château e Sigfried Giedion, o primeiro secretário-geral. Por ocasião dos 90 anos da declaração, o blog reproduz o texto integral, traduzido pelo professor do curso de Arquitetura e Urbanismo ULBRA Torres Arq. Me. Enilton Braga.

Os participantes do CIAM I, em La Sarraz, Suíça, 1928.


DECLARAÇÃO DE LA SARRAZ

Os arquitetos abaixo assinados, representando os grupos nacionais de arquitetos modernos, afirmam a sua unidade de ponto de vista sobre as concepções fundamentais da arquitetura e as suas obrigações profissionais para com a sociedade.
Eles insistem particularmente no fato de que “construir” é uma atividade elementar do homem intimamente ligada à evolução e ao desenvolvimento da vida humana. O destino da arquitetura é expressar a orientação da época. Obras de arquitetura só podem surgir a partir do tempo presente.
Recusam-se categoricamente, portanto, a aplicar em seus métodos de trabalho os meios que capazes de ilustrar as sociedades do passado; eles afirmam hoje a necessidade de uma nova concepção de arquitetura que satisfaça as demandas espirituais, intelectuais e materiais da vida atual. Conscientes das profundas perturbações da estrutura social provocadas pelas máquinas, reconhecem que a transformação da ordem econômica e da vida social inevitavelmente traz consigo uma transformação correspondente do fenômeno arquitetônico.
A intenção que os une aqui é alcançar a indispensável e urgente harmonização dos elementos envolvidos, substituindo a arquitetura em seu verdadeiro plano, o plano econômico e o sociológico. A arquitetura, assim, deve ser libertada do domínio esterilizante das academias conservadoras das fórmulas do passado.
Impulsionados por essa convicção, eles se declaram membros de uma associação e dar-se-ão mútuo apoio a nível internacional a fim de alcançar suas aspirações, moral e materialmente.

I. Economia Geral
1. A noção da arquitetura moderna envolve a conexão entre o fenômeno da arquitetura com o do sistema econômico geral.
2. A noção de “rendimento” não implica produção que ofereça o máximo lucro comercial, mas uma produção que exige um mínimo esforço de trabalho.
3. A necessidade do rendimento mais eficiente é a inevitável consequência do empobrecido regime da economia geral.
4. A produção mais eficiente decorre da racionalização e padronização. A racionalização e a padronização têm um impacto direto nos métodos de trabalho, tanto na arquitetura moderna (projeto) quanto na indústria da construção (execução).
5. Racionalização e padronização reagem de três maneiras:
(a) exigem do arquiteto projetos que levem à simplificação dos métodos de trabalho no local e na fábrica;
(b) significam para empresas de construção a redução de necessidade de mão-de-obra especializada; elas levam ao emprego de mão-de-obra menos especializada trabalhando sob a direção de técnicos altamente especializados;
(c) eles esperam do cliente (ou seja, aquele que comanda a casa ou que nela habita) uma revisão de suas exigências no sentido de um reajuste às novas condições da vida social. Tal revisão será manifestada na redução de certas necessidades individuais, daqui por diante desprovidas de razões reais, e o benefício dessa redução favorecerá a satisfação, tanto quanto possível, das necessidades da maioria, atualmente restritas.
6. O colapso da classe dos artesãos como resultado da dissolução de guildas é um fato consumado. A consequência inescapável do desenvolvimento da máquina levou a métodos industriais de produção diferentes e muitas vezes opostos aos do artesanato. Até recentemente, graças ao ensino das academias, o projeto arquitetônico foi inspirado principalmente pelos métodos dos artesãos e não por novos métodos industriais. Essa contradição explica a profunda desorganização da arte de construir.
7. É urgente que a arquitetura, abandonando as concepções antiquadas ligadas à classe dos artesãos, seja baseada nas realidades atuais da tecnologia industrial, mesmo que tal atitude deva levar a realizações fundamentalmente diferentes daquelas de eras passadas.

II. Urbanismo
1. O urbanismo é a organização das funções da vida coletiva; estende-se tanto a aglomerações urbanas quanto ao campo. O urbanismo é a organização da vida em todos os países. A urbanização não pode ser condicionada pelas pretensões de um esteticismo pré-existente: sua essência é de ordem funcional.
2. Esta ordem inclui três funções:
(a) habitar;
(b) produzir;
(c) relaxar (manutenção da espécie).
Seus objetivos essenciais são:
(a) divisão do solo;
(b) organização do tráfego;
(c) legislação.
3. As relações entre áreas de habitação, áreas plantadas (incluindo esportes) e áreas de tráfego são ditadas pelo ambiente econômico e social. A fixação de densidades populacionais estabelece a classificação indispensável.
A caótica divisão do solo, resultante de vendas, especulação e heranças, deve ser abolida por uma economia agrária coletiva e metódica.
A reforma agrária, a base preliminar indispensável de qualquer planejamento urbano, deve envolver a distribuição equitativa entre os proprietários e a comunidade dos benefícios de maior valor resultante dos trabalhos de interesse comum
4. A regulação do tráfego deve abranger todas as funções da vida coletiva. A crescente intensidade dessas funções vitais, sempre conferidas pela leitura de estatísticas, demonstra a importância do fenômeno da circulação.
5. Os atuais meios técnicos que estão em constante crescimento são a chave do planejamento urbano. Eles implicam e propõem uma transformação total da legislação existente; esta transformação deve ocorrer paralelamente ao progresso técnico.

III. Arquitetura e a opinião pública
1. Hoje é essencial que os arquitetos influenciem a opinião pública, tornando-os cientes dos fundamentos da nova arquitetura. A opinião dos efeitos deletérios do ensino acadêmico perde-se em uma concepção errônea de habitação. Os verdadeiros problemas da habitação foram reprimidos por pretensões sentimentais totalmente artificiais. O problema da casa não é colocado.
Clientes cujos requisitos são motivados por inúmeros fatores não relacionados ao real problema da habitação, são geralmente muito ruins em formular seus desejos. Opinião é perdida. Assim, o arquiteto não satisfaz as condições normais da habitação. Esta ineficiência envolve o país em uma despesa imensa que é uma perda pura. Esta tradição da residência cara é criada, privando uma grande parte da população de uma casa saudável.
2. Através da educação nas escolas, um feixe de verdades elementares poderia formar a base da educação doméstica (por exemplo: a economia geral da habitação, os princípios da propriedade e seu significado moral, os efeitos da luz solar, os males da escuridão e da escuridão, os princípios da higiene, a racionalização da economia doméstica, o uso do mobiliário, o emprego da mecânica na vida doméstica, etc).
3. Tal educação teria o efeito de formar gerações com uma concepção saudável e racional da casa. Essas gerações (futuros clientes do arquiteto) seriam capazes de dizer corretamente o problema da casa.

IV. A arquitetura e sua relação com o Estado
1. Os arquitetos modernos, que têm a firme intenção de trabalhar de acordo com novos princípios, só podem considerar as academias oficiais e seus métodos estéticos e formalistas como instituições que impedem o progresso.
2. Essas academias são, por definição e por função, os conservadores do passado. Eles estabeleceram dogmas da arquitetura baseados nos métodos práticos e estéticos dos períodos históricos. As academias viciam a própria vocação do arquiteto na origem. O ponto de vista é falso e as consequências são falsas.
3. Os Estados devem, portanto, garantir a prosperidade do país, tirando o ensino da arquitetura das garras das academias. O passado nos ensina precisamente que nada é permanente, que tudo evolui e que o progresso avança constantemente.
4. Os Estados, renunciando agora a confiar nas academias, devem revisar os métodos de ensino da arquitetura e se preocupar com esta questão, pois estão preocupados com todos aqueles cujo propósito é fornecer ao país as organizações mais produtivas e avançadas.
5. O academismo leva os Estados a gastar consideráveis quantias de dinheiro na construção de edifícios monumentais, contrários à utilização eficiente de recursos, exibindo um luxo fora de moda em detrimento das tarefas mais urgentes do planejamento urbano e habitacional.
6. Na mesma linha, todas as prescrições do Estado que, de alguma forma, tendem a influenciar a arquitetura dando-lhe uma orientação puramente estética são um obstáculo ao seu desenvolvimento e devem ser vigorosamente combatidas.
7. A nova atitude do arquiteto, pela qual ele deseja ressituar-se na realidade econômica, torna supérfluas todas as pretensões ao patronato oficial.
8. Se os Estados assumissem o contrário de sua atitude atual, provocariam um verdadeiro renascimento arquitetônico que seria naturalmente integrado à orientação geral do desenvolvimento econômico e social do país.

28 de junho de 1928.

A declaração foi assinada pelos seguintes arquitetos:
Hendrik Petrus Berlage (Haia); Victor Bourgeois (Bruxelas); Pierre Chareau (Paris); Josef Frank (Viena); Gabriel Guévrékian (Paris); Max Ernst Haefeli (Zurique); Hugo Häring (Berlim); Arnold Hoechel (Genebra); Huib Hoste (Bruges); Pierre Jeanneret (Paris); Le Corbusier (Paris); André Lurçat (Paris); Sven Markelius (Estocolmo); Ernst May (Frankfurt); Garcia Mercadal (Madrid); Hannes Meyer (Dessau); Werner Max Moser (Zurique); Carlo Enrico Rava (Milão); Gerrit Rieveld (Utreque); Alberto Sartoris (Turim); Hans Schmidt (Basileia); Mart Stam (Roterdã); Rudolf Steiger (Zurique); Szymon Syrkus (Varsóvia); Henri-Robert von der Mühll (Lausana); Juan de Zavala (Madrid).

26 junho 2018

EGRESSA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO PREMIADA INTERNACIONALMENTE DÁ ENTREVISTA EXCLUSIVA PARA O BLOG

A egressa do curso de Arquitetura e Urbanismo da ULBRA Torres, Arquiteta e Urbanista Tainara Sparremberger Justo recebeu, recentemente, um importante prêmio internacional relacionado ao seu Trabalho de Conclusão de Curso, realizado nesta instituição. A World Architecture  Community reconheceu o trabalho de Tainara, na categoria estudante, como um dos melhores do mundo. Seu trabalho apareceu no site, ao lado de grandes escritórios, como o de Zaha Hadid. O escritório onde Tainara trabalha, a Lithos Arquitetura, formada por egressos da ULBRA Torres, também foi premiado, na mesma edição. Tainara, por conta disto, foi convidada a conversar com nosso blog. Confira a entrevista:

Tainara em seu painel final, no curso de Arquitetura e Urbanismo da ULBRA Torres

BLOG – Tainara, parabéns pelo prêmio que recebeste. Os professores do curso de Arquitetura e Urbanismo da Ulbra Torres ficaram muito felizes com o reconhecimento do teu trabalho. Explique, por favor, o que foi o teu projeto de TC2.
Tainara – Obrigada. Meu trabalho de conclusão de curso tratou-se de um Centro de Cultura e Assistência Social para Crianças e Adolescentes, na cidade de Torres. Que abrigava um espaço destinado a realização de atividades socioeducativas, promovendo a interação entre família, comunidade, sociedade e poder público. A proposta arquitetônica foi orientada pelo Prof. Arq. Me. Marcos Bueno, recebendo a contribuição de toda a equipe de professores, durante as bancas. A ideia de proporcionar um grande ganho para a comunidade através da arquitetura, e também o fato de o tema permitir uma certa liberdade na composição, foram fatores motivadores na concepção da proposta.

O certificado do prêmio, da World Architecture Community

BLOG – Explique um pouco sobre o prêmio que recebeste.
TAINARA – O trabalho foi um dos cinco projetos premiados na categoria estudantil do World Architecture Community (Comunidade Mundial de Arquitetura), onde participam projetos de 35 países. Os projetos vencedores são selecionados pelos membros da comunidade. O material de apresentação é livre e entregue em formato digital, os textos tiveram de ser traduzidos para o inglês. Além da categoria estudantil, existe ainda a categoria arquiteto, onde participam diversos renomados escritórios, como o escritório Zaha Hadid, por exemplo.

Perspectiva do Trabalho Final de Conclusão de Curso de Tainara Justo

BLOG – Dirias que a formação que tiveste na Ulbra Torres foi decisiva no sucesso do teu Trabalho de Conclusão?
TAINARA – O resultado do trabalho é a soma da contribuição de todos os envolvidos, das discussões com os colegas e professores, sobre as técnicas e soluções empregadas, principalmente pela resiliência em propor diversos estudos, analisando as melhores soluções, com o apoio da excelente orientação e motivação direcionada pelo meu orientador, Prof. Marcos Bueno.

Vista aérea do Trabalho Final de Conclusão de Curso de Tainara Justo

BLOG – Hoje, contratada em um grande escritório de arquitetura de Torres, dirias que a formação no curso de Arquitetura e Urbanismo da Ulbra Torres foi um diferencial para conseguir sucesso na carreira?
TAINARA – A oportunidade recebida no escritório Lithos Arquitetura tem muito a ver com a confiança que a equipe tem na universidade, e foi uma boa oportunidade de observar na prática, o que me foi passado dentro da sala de aula.

A equipe da Lithos Arquitetura, onde Tainara foi contratada

BLOG – Temos visto diversas manifestações das principais instituições representantes dos Arquitetos e Urbanistas contra qualquer tipo de curso de graduação em Arquitetura e Urbanismo em formato EAD (Ensino à Distância). Baseado na tua recente formação, qual a tua opinião sobre isto?
TAINARA – Penso que a arquitetura exige muito além de técnica construtiva, soluções eficientes e materiais adequados. É preciso desenvolver muita sensibilidade a respeito, não só da solução formal adequada, ou da funcionalidade de um espaço, é preciso entender que a arquitetura é feita para as pessoas, para suas necessidades e para a melhor forma de atendê-las. E a melhor forma de adquirir essa percepção é através do contato, na troca de experiências, nas discussões entre colegas e professores. Na minha opinião, não existe uma forma de fazer uma boa arquitetura que não envolva discussão, e isso não é possível através da tela de um computador.

Perspectiva do Trabalho Final de Conclusão de Curso de Tainara Justo

BLOG – Tens alguma dica para os alunos da Ulbra Torres que estão seguindo o curso de Arquitetura e Urbanismo?
TAINARA – Apaixonem-se verdadeiramente pela arquitetura, busquem sempre absorver tudo de bom que a universidade tem para oferecer, sejam insistentes, existe um longo caminho entre o bom e a excelência, e, principalmente, confiem na sua capacidade de propor uma boa ideia.

Perspectiva do Trabalho Final de Conclusão de Curso de Tainara Justo


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12 junho 2018

TURMA DE GESTÃO TECNOLÓGICA I VISITA O ESCRITÓRIO STEMMER RODRIGUES EM PORTO ALEGRE

No dia 24 de maio, os alunos da disciplina de Gestão Tecnológica I do curso de Arquitetura e Urbanismo da Ulbra Torres, ministrada pelo Prof. Enilton Braga, foram acolhidos pelo presidente da AsBEA-RS, arquiteto Paulo Henrique Rodrigues, em uma conversa franca em seu escritório, Stemmer e Rodrigues. Acompanhados de um agradável chá com bolo numa tranquila tarde, aos estudantes foram apresentados diversos projetos do escritório, além de sua história completa, seu funcionamento e uma visita às suas instalações.
Arq. Paulo Henrique Rodrigues - Fonte: http://asbea-rs.org.br
Paulo frisou a importância da competência dos profissionais na hora de captar mais clientes, garantindo que a propaganda boca-a-boca é uma importante estratégia de marketing. Outros tópicos foram abordados, como estratégias bioenergéticas, linguagem e composição em arquitetura, o mercado imobiliário atual e estratégias de gerenciamento da cartela de clientes e honorários. O arquiteto Paulo também mencionou as muitas possibilidades de carreiras dos profissionais formados em Arquitetura e Urbanismo e comentou sobre a importância da autenticidade dos softwares utilizados em um escritório renomado.

Os alunos puderam tirar dúvidas relacionadas às práticas profissionais e aos desafios que enfrentarão ao se inserirem no mercado de trabalho, além de conhecer todos os ambientes do escritório, situado em Porto Alegre. Ao final da visita, um registro fotográfico com o arquiteto Paulo e sua esposa, a também arquiteta e sócia do escritório Ingrid Stemmer, coroaram o encontro.


A Coordenação do curso agradece a disponibilidade de toda a equipe da Stemmer e Rodrigues e aproveita para parabenizar o sólido e consistente trabalho realizado por anos, expresso em diversas premiações e menções, e agradece, principalmente, o arquiteto Paulo Rodrigues pela excelente aula dada aos nossos alunos. O curso aproveita a oportunidade e convida o escritório a vir à ULBRA Torres ministrar palestra para todos os alunos do curso.

A visita ao escritório revitaliza o compromisso do curso de Arquitetura e Urbanismo na qualificação para o mercado de nossos egressos, o que resulta na verificada alta empregabilidade dos profissionais aqui formados. É no entrosamento entre mercado e a universidade, através de atividades como essa, que a Arquitetura e Urbanismo no Litoral Norte Gaúcho vai alimentando-se de boas referências e de boas práticas profissionais, qualificando o mercado como um todo.

Quem desejar saber mais sobre o escritório, visite http://stemmerrodrigues.com.br e https://www.archdaily.com.br/br/office/stemmer-rodrigues-arquitetura. Para saber mais sobre a AsBEA-RS, http://asbea-rs.org.br. Siga a página no Facebook do curso www.facebook.com/arquiteturaulbratorres e o Instagram www.instagram.com/arquiteturaulbratorres.

24 abril 2018

RENOMADO ESCRITÓRIO DE ARQUITETURA MINISTRA AULA INAUGURAL NO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO

No dia 28 de março, o escritório de arquitetura Ambidestro, de Porto Alegre, ministrou a aula inaugural do curso de Arquitetura e Urbanismo da ULBRA Torres. A palestra contou com a presença de todos os alunos do curso, além do corpo docente, coordenação do curso e a diretora da unidade Torres, professora Débora Borges Thomas.
O escritório, idealizado pelos arquitetos e urbanistas João Pedro Crescente, formado na Uniritter, 2014, e Raquel Zaffalon, Uniritter, 2012, foi representado pela arquiteta Laís Adib em conversa franca com os espectadores. A arquiteta apresentou diversos projetos arquitetônicos, com destaque para a arquitetura de interiores de apartamentos porto-alegrenses. A palestrante abordou, ainda, os desafios do arquiteto e urbanista perante o atual cenário no mercado de trabalho.
Ao final da palestra, o debate foi aberto aos alunos, possibilitados de esclarecer dúvidas sobre o trabalho e atuação do escritório, fechando a noite de aprendizado.
O curso de Arquitetura e Urbanismo agradece ao escritório Ambidestro pela disposição em ministrar a palestra, reafirmando a importância da sinergia e troca de experiências entre o meio acadêmico e o meio profissional. O debate com profissionais de diferentes regiões enriquece a formação de nossos alunos, o que contribui na qualificação do mercado arquitetônico do Litoral Norte gaúcho e Extremo Sul catarinense através das contribuições dos nossos egressos. 
Quem desejar saber mais sobre o escritório, visite www.ambidestro.arq.br e www.archdaily.com.br/br/office/ambidestro. Siga a página no Facebook do curso www.facebook.com/arquiteturaulbratorres e o Instagram www.instagram.com/arquiteturaulbratorres.

01 dezembro 2017

PROFESSORA DA ULBRA TORRES MINISTRA PALESTRA SOBRE LIGHT STEEL FRAME

A professora do curso de Arquitetura e Urbanismo da ULBRA Torres Graziella Radavelli participou, nos dias 06 e 07 de novembro, do 1º Encontro Regional de Construção a Seco: Light Steel Framing (LSF). O evento foi realizado na Unisinos Campus São Leopoldo e reuniu arquitetos, engenheiros, entidades de classe, construtoras, universidades, indústria e fornecedores para falar sobre tecnologia na construção civil brasileira. 



Integrando a programação de cases de construções em Light Steel Frame e palestras técnicas, a Prof. Graziella falou sobre o "Desempenho Acústico do Sistema LSF", apresentando o trabalho realizado durante o mestrado em Engenharia Civil na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). O evento contou também com a participação outro docente da instituição, o engenheiro Gladimir Grigoletti, professor da ULBRA Canoas, que abordou o dimensionamento de perfis formados a frio. 


A Coordenação do curso parabeniza a professora Graziella pela participação no evento e pela importante palestra técnica ministrada, ressaltando a atualidade do tema e a importância da aplicação de novas tecnologias construtivas, visando redução do impacto ambiental.

29 novembro 2017

VIAGEM DE ESTUDOS 2017/2: BUENOS AIRES, LA PLATA E A BIENAL INTERNACIONAL

O curso de Arquitetura e Urbanismo da ULBRA Campus Torres promoveu, de 08 a 15 de outubro, sua terceira Viagem de Estudos Internacional, que além do roteiro pelas cidades de Buenos Aires e La Plata, percorrendo exemplares de arquitetura e urbanismo de diferentes tempos históricos, incluiu a participação na XVI Bienal Internacional de Arquitetura, tradicional evento da área. 



A capital argentina situa-se às margens do Rio da Prata e é uma das maiores cidades da América do Sul. Fundada em 1536, concentra exemplares da arquitetura Colonial, Barroca, Eclética, Moderna e Contemporânea. A viagem foi organizada pelos professores Efreu Quintana e Renata Matos, com supervisão da Coordenadora do curso Thaís Menna Barreto. O grupo de 36 estudantes foi acompanhado ainda pelos professores Anallu Barbosa, Bianca Breyer, Breno Clezar, Leonardo Garateguy, Marcos Bueno e Marta Volkmer.

O roteiro da viagem de estudos teve início pela visita guiada ao Teatro Colón, importante exemplar da arquitetura eclética do início do século XX, cuja sala principal tem a forma de um teatro italiano típico, com capacidade de mais de 2400 assentos. Em seguida, o grupo realizou percurso pela Av. Corrientes, até chegar ao Parque de La República, com o Obelisco comemorativo aos 400 anos de fundação da cidade, situado no cruzamento com a Av. 9 de Julio, principal avenida da cidade com 140m de largura.






Na tarde de segunda, a turma fez seu credenciamento na Bienal Internacional de Arquitectura de Buenos Aires, importante evento que reúne arquitetos de renome internacional, além de inúmeras exposições. A Usina del Arte, sede do evento, se converteu em uma atração à parte, por se tratar de edifício industrial do início do século XX que abrigava a Companhia Italo Argentina de Eletricidade, recentemente reabilitado e transformado em centro cultural com salas de espetáculo. Como destaque da noite, a palestra do arquiteto Justo Solsona, autor de inúmeros edifícios icônicos, premiado por sua trajetória de mais de 70 anos de arquitetura; e a fala do arquiteto dinamarquês Bjarke Ingels, jovem arquiteto reconhecido internacionalmente como um dos mais influentes e inovadores do mundo.


Na terça, o grupo assistiu ao painel “Barcelona Ciudad Invitada”, com participação de Josep Maria Montaner e outros arquitetos catalães. Depois de almoçar no Caminito, rua museu situada no bairro de La Boca, o roteiro contemplou visita guiada à Fundacion Proa, centro de arte contemporânea em um casarão reciclado do final do século XIX. De lá, se dirigiram novamente à Bienal, onde assistiram às palestras da noite, com destque para o arquiteto italiano Alberto Cecchetto. Como encerramento, o grupo visitou a Puente de la Mujer, de Santiago Calatrava, e se reuniu em jantar festivo no Restaurante Siga La Vaca, também no Puerto Madero.


O roteiro de quarta teve início com visita à nova sede do governo da cidade de Buenos Aires, projetada pelo escritório inglês Foster + Partners em frente ao Parque de los Patricios. Em seguida, o grupo se dirigiu à La Plata, cidade planejada com traçado xadrez cortado por avenidas diagonais que abriga a sede do governo da província de Buenos Aires. Lá, o grupo percorreu as principais praças da cidade, com destaque para a Plaza Moreno, no centro da trama, onde estão a Catedral de la Immaculada Concepción, construída entre 1883 e 1932 em estilo Neogótico e o Palácio Municipal, projeto com referências renascentistas do arquiteto alemão Uberto Stier. 



O ponto alto do roteiro foi a visita guiada à Casa Curutchet, único projeto de Le Corbusier na América Latina, projetada em 1948 de acordo com os “cinco pontos da nova arquitetura” e com o sistema de proporções “Modulor”.



Na quinta pela manhã, foi realizado percurso no entorno da Plaza San Martín, em Buenos Aires, onde ficam a Estación Retiro, a Torre Monumental e o Edifício Kavanagh. Em seguida, o grupo realizou percurso pela Calle Florida, tendo como ponto de partida as Galerías Pacífico, se deslocando em percurso livre até a Plaza de Mayo. Na principal praça do centro de Buenos Aires, cuja origem remonta à fundação da cidade em 1580, o grupo visitou os principais edifícios políticos e religiosos: o Cabildo, a Catedral Metropolitana e a Casa Rosada, encerrando a tarde com visita ao Museo del Bicentenario, exemplar de intervenção contemporânea em patrimônio histórico.



À noite, o grupo assistiu às conferências da Bienal, com destaque para o jovem e premiado arquiteto argentino Nicolás Campodónico e para o escritório catalão Flores y Prats, exemplar na reabilitação de estruturas em desuso. Por fim, o grupo passou pela Floralís Genérica, escultura de uma flor gigante com sistema automatizado de abertura e iluminação.

Na sexta, o percurso teve início pela visita guiada à Biblioteca Nacional Mariano Moreno, projetada pelo renomado arquiteto argentino Clorindo Testa e equipe. No ícone da arquitetura brutalista, o grupo foi gentilmente recebido pela arquiteta Ana Miyno, grande conhecedora do projeto e responsável pelo Archivo del Patrimonio Histórico Constructivo da Biblioteca. Após almoçar no bairro da Recoleta, o grupo seguiu para a Manzana de las Luces, quadra histórica que reúne várias das mais antigas construções da cidade. À noite, o grupo participou da conferência de encerramento da Bienal, ministrada pelo arquiteto espanhol Juan Herreros.


O roteiro de sábado teve início pela visita guiada ao Edifício Barolo, projetado em 1923 pelo arquiteto italiano Mario Palanti com inúmeras referências à Divina Comédia, de Dante Alighieri. Em seguida, o grupo percorreu a Plaza Del Congresso e se dirigiu ao Puerto Madero, onde observou as diferentes intervenções paisagísticas. Logo após, foi feita visita ao Centro Cultural Kirchner CCK, antigo Palácio dos Correios e Telégrafos completamente restaurado e transformado no Centro Cultural do Bicentenário. Encerrando as atividades do dia, um happy hour em San Telmo, bairro antigo famoso por seus cafés e antiquários.

O último dia de viagem se concentrou em dois importantes parques urbanos da cidade. Inicialmente, o grupo percorreu os Bosques de Palermo, passando pelo Planetário Galileo Galilei, para em seguida, visitar o Parque de la Memória, referência contemporânea de desenho paisagístico e tratamento de orla.

Mais uma vez, o balanço da viagem de estudos foi extremamente positivo. Além da já tradicional oportunidade de ampliação do repertório arquitetônico e urbanístico, essa viagem teve como ponto alto a participação de todos na Bienal Internacional de Arquitectura. A possibilidade de tomar parte em um evento internacional de tamanha proporção ofereceu aos estudantes e professores uma chance única de atualização e ampliação de repertório técnico e formal, elemento essencial ao fazer do arquiteto e urbanista. Além disso, como de praxe, a viagem contribuiu para o fortalecimento das relações interpessoais, demonstrando a importância dos contatos para a consolidação da carreira profissional.

A Coordenação do curso agradece a todos os envolvidos, especialmente aos professores Efreu Quintana e Renata Matos, pela organização impecável, aos demais professores participantes e, principalmente, aos alunos que se entregaram a esta experiência de forma tão intensa. Temos certeza de que atividades desta natureza são transformadoras e agregam imenso valor à formação acadêmica.






As viagens de estudo já são uma tradição em nosso curso, a cada semestre lançamos um novo destino, cujos roteiros intercalam as diferentes escalas, de passeios locais a viagens internacionais, a fim de oportunizar a participação do maior número de estudantes. Participe da próxima!